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No Canteiro da Creche – Episódio 1: “Surpresas subterrâneas”

Bom dia a todos que acompanham o Engenheiro no Canteiro! Esse é meu primeiro post (criei vergonha, a cobrança já estava grande), e decidi seguir uma linha diferente dos outros posts. Ao invés de escrever artigos específicos de cada assunto, vou escrever sobre uma obra que estamos começando agora e acompanhar até o fim com vocês.

Tenho como objetivo apresentar aos leitores os problemas (e respectivas soluções) de uma obra do início ao fim. Se o leitor já é construtor, poderá comparar as diferentes formas de lidar com um problema semelhante, ou resolver algo ainda sem solução (ou me ajudar com o meu problema, haha). Caso seja estudante, curioso, aspirante a engenheiro ou alguém que veio parar aqui por acaso e nem sabe do que se trata esse (maravilhoso) blog, farei o possível para mostrar na prática como funciona uma obra.

A obra em questão é uma creche no interior de São Paulo, fruto de uma licitação do tipo Concorrência Pública e seguem abaixo os dados básicos:

  • Área Construída: aproximadamente 650 m²
  • Área do terreno: aproximadamente 2000 m²

Infelizmente, não tenho permissão para divulgar nosso projeto específico, mas no link abaixo vocês podem ver um projeto semelhante, padrão FDE.

LINK PARA O PROJETO

Então, chega de bla bla bla e vamos ao que interessa! Certo?

NÃO!

Deem uma boa olhada no terreno destinado à nossa maravilhosa obra. Quando vemos fotos e artigos de obras, normalmente encontramos aquela área perfeita, nivelada e pronta. Mas aqui é a vida real, e é algo assim que encontraremos durante nossas carreiras. Então é só raspar esse mato remover a vegetação e vamos ao que interessa, agora sim acabou o bla bla bla, certo?

No Canteiro da Creche - E01 - Foto1

No Canteiro da Creche - E01 - Foto2

NÃO!        

Esse terreno havia sido destinado à outra obra antes da nossa. Por motivos alheios ao nosso conhecimento, apenas estacas, blocos e baldrames foram executados e a obra foi abandonada. Infelizmente, era um projeto completamente diferente e nada será aproveitado.

Segue foto da situação atual:

Então, o que fazer?….

Quem já construiu sabe que essa é uma pergunta recorrente (e quem vai construir vai descobrir isso), e é função do construtor apresentar as soluções possíveis e escolher a melhor entre todas.

No nosso caso, as soluções imediatas seriam:

  1. Demolir blocos e baldrames.
  2. Demolir baldrames e adaptar nossa fundação para sair dos blocos existentes.
  3. Não demolir nada e adaptar a fundação inteira.
  4. Se trancar em um quarto escuro e chorar.

Entretanto, nem tudo são flores, e normalmente apenas uma solução não resolve o problema inteiramente. Primeiro, porque é economicamente inviável demolir tudo. Os blocos existentes são fortemente armados e perderíamos nosso precioso tempo (o cronograma já está correndo) para eliminar algo que não nos atrapalhará tanto.

De qualquer forma, a obra deveria ser aterrada para subirmos o nível. Portanto, a solução que optamos é uma mescla das 4 acima. Em algumas partes mais altas, demoliremos o baldrame e parte dos blocos que interferirem com os blocos da nossa fundação. Em outras partes, aterraremos tudo e faremos nossa fundação por cima. Já em outras, enquanto choramos, alteraremos a posição de nossa fundação e faremos alavancas para apoiar os pilares (que obviamente deverão continuar na mesma posição).

Além disso, devemos levar em conta a interferência das estacas já existentes com as estacas a serem executadas, respeitando as diretrizes para a separação mínima entre estacas. Geralmente, para estacas escavadas, o espaçamento mínimo considerado é de 3 vezes o diâmetro da estaca, ou 60 cm (escolher o maior entre os dois).

Por fim, temos que considerar que a parte de nossa obra que ficará por cima das fundações de outra obra terá maior rigidez. Então, para evitar recalques diferenciais reforçaremos parte da fundação que ficará “fora” da malha já existente construída.

Assim que finalizarmos a parte de escritório e formos ao canteiro, publicarei o episódio 2 do No Canteiro da Creche!

Tchau!

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